O modelo foi criado nos anos 1980, por Stanley Greenspan e Serena Wieder, para auxiliar o desenvolvimento infantil de forma ampla. Ele foca na importância da intervenção precoce em todas as áreas, incentivando a participação ativa dos pais no processo.
O modelo tem como base as habilidades socioemocionais, fortalecendo o vínculo e permitindo que a criança tome a iniciativa nas interações e atividades, sempre com o suporte de adultos capacitados.
Dessa forma, conseguimos estimular a comunicação, a autorregulação, o interesse pelo mundo, a organização, o pensamento simbólico e o raciocínio lógico, tudo dentro de brincadeiras e atividades lideradas pela criança.
Por que D.I.R?
O acrônimo DIR representa os três pilares centrais do modelo:
- D (Developmental – Desenvolvimento): Cada criança está em um estágio único de desenvolvimento. Nosso foco é identificar esse estágio e traçar um plano terapêutico personalizado.
- I (Individual-diferences – Diferenças Individuais): Sabendo quais os próximos passos do desenvolvimento da criança, construímos um perfil individualizado, considerando seus interesses, habilidades, dificuldades, zonas de conforto e desconforto, além de sua dinâmica de relacionamento.
- R (Relationship – Relacionamento): É por meio das interações sociais e relacionamento que ampliamos o mundo da criança. Então o modelo foca na melhor dinâmica de relacionamento para cada caso.
E o Floortime…?
O termo Floortime significa “tempo de chão” — e é exatamente assim que a sessão acontece. A criança, o terapeuta e familiares se posicionam no chão, engajando nas brincadeiras guiadas pela criança, enquanto o adulto observa e ajusta a abordagem conforme o necessário para atingir os objetivos terapêuticos da forma mais natural e significativa possível.
Quais são as capacidades socioemocionais do DIR/Floortime?
- Auto-regulação e Interesse pelo Mundo:
Nessa etapa, o foco é desenvolver junto com a criança, recursos para a autorregulação emocional (controle das emoções e sensações) e a aumentar de seu interesse pelo mundo. Para isso, incentivamos a percepção e exploração do ambiente, sempre estabelecendo conexão com a família e os desejos da crianças. - Formação de Relacionamentos, Vínculos e Engajamentos
Nesta etapa, estimulamos as habilidades de compartilhar a atenção, se sentir confortável nas interações com o outro, e expressar o desejo de se relacionar. Criamos um ambiente acolhedor, com comunicação acessível, e partindo dos interesses da criança. - Comunicação Intencional:
Nesta etapa, incentivamos a criança a perceber que suas ações geram respostas, tanto nas pessoas ao seu redor quanto no ambiente. Usamos estratégias para desenvolver a criança identificar e interpretar sinais comunicativos — como palavras, sons e gestos — e responder de forma intencional e eficaz a esses estímulos. - Organização e Resolução de Problemas:
Nesta fase, a criança é estimulada a entender ações e consequências. O foco é ajudar a reconhecer sua responsabilidade sobre seus próprios atos e a entender os limites do outro. Também trabalhamos conceitos como individualidade, negociação e interação para alcançar seus objetivos, resolução de problemas e regras sociais. - Capacidade Simbólica e Imaginativa:
Nesta etapa, estimulamos a criança a usar símbolos e expressar pensamentos, entender e usar conceitos abstratos, como sentimentos e inferências. O terapeuta é essencial para trabalhar flexibilidade da linguagem, ajudando a criança a se expressar de maneira mais complexa, expandindo suas habilidades cognitivas e criativas. - Pensamento Emocional, Lógico-Abstrato:
Aqui, o foco é auxiliar a criança à perceber as diferenças entre os símbolos, formular pensamentos lógicos e expressar essas diferenças por meio de símbolos abstratos, essenciais para a resolução de desafios sociais. Só com essas habilidades que a criança consegue conectar emoções de sua experiência com o mundo ao redor.
Como funciona a fonoaudiologia no DIR/Floortime?
A fonoaudiologia integra a comunicação às habilidades socioemocionais da criança. Os sons da fala são trabalhados de maneira lúdica, escolhidas pela própria criança, enquanto o terapeuta mantém os objetivos com foco no aprendizado de forma natural, e com tarefas de autorregulação e organização nos momentos de desafio.
No caso das crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, como autismo e TDAH, nosso trabalho foca na intenção comunicativa, no desenvolvimento de palavras funcionais, verbalizações e trocas de turno. Sempre acompanhando de perto as habilidades socioemocionais da criança, seguindo sua liderança e adotando uma abordagem dinâmica e individualizada para promover seu desenvolvimento.



